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Por Mallize Gonçalves

Considerações sobre o tratamento tópico na Dermatite Atópica

O tratamento tópico adequado e frequente, aliado à terapia oral e também sistêmica é imprescindível para o bom controle das crises

As doenças dermatológicas são uma das principais causas de visita ao consultório veterinário. Sabemos que as doenças que afetam o tegumento podem ser de causas alérgicas, bacterianas, fúngicas, imunológicas ou endócrinas. Nas doenças dermatológicas, além da terapia oral e sistêmica, o tratamento tópico é fundamental para a resolução e controle, visando a remissão de processo inflamatório e infeccioso do tecido, além da cicatrização, reparo, restauração da barreira epidérmica (atópicos) e higienização da pelagem.
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No caso da dermatite atópica, que é uma doença inflamatória pruriginosa e multifatorial, cuja principal característica consiste na presença de eczema, associado ao prurido, sabemos que essa disfunção resulta em uma hiper-reatividade do sistema imunológico, com produção de anticorpos IgE, específico, frente à alérgenos ambientais. Gerando respostas imunológicas Th2 e Th1. Somada, à disfunção de barreira epidérmica. O tratamento tópico adequado e frequente, aliado à terapia oral e também sistêmica é imprescindível para o bom controle das crises.

Uso de cosméticos

O objetivo do tratamento tópico, consiste basicamente em controle de disbiose e restauração da barreira epidérmica, através de protocolos de banhos e hidratação da pele. Sabemos que a pele dos animais atópicos, é muito susceptível a supercrescimento de bactérias, em especial de gênero cocos Staphylococcus pseudointermedius e leveduras do gênero Malassezia pachidermatis. Devido a perda de função de barreira tegumentar, ocorre também a perda de água transepidérmica, e alterações imunológicas.

Quando pensamos em xampus, devemos compreender a fase que o paciente atópico se encontra, para selecionar o produto ideal. Por exemplo, se o animal está apresentando quadros de disbiose bacteriana ou fúngica é necessário a utilização de produtos com agentes de ação anti-séptica, sendo que o mais comumente utilizados são Gluconato de Clorexidine de 0,5 a até 3% , pois possui ação tanto bactericida, para bactérias gram + e gram -, quanto bacteriostática, além de ação fungicida na porcentagem acima de 2,5%. Comumente utilizado também, é o Peróxido de benzoíla, que apresenta ação anti-microbiana de infecções mais profundas na derme e folículo piloso, além de ser queratolítico; já os agentes de ação fungicidas, são miconazol e cetoconazol. A duração e frequência do uso dos xampus anti-sépticos variam de acordo com a resposta e controle do quadro disbiótico.

Xampus, sprays, pipetas à base de agentes hidratantes, umectantes e emolientes

Esses produtos são à base de substâncias que contém lipídios, aminoácidos e água. São utilizados devido à redução dos lipídios e a alteração da expressão de proteínas, como a filagrina na pele do atópico, promovendo reposição, retenção destes constituintes, formando uma película protetora na camada córnea, protegendo contra agressores externos, e à perda de água transepidérmica. Agentes comumente utilizados: fitoesfingosina, uma percussora das ceramidas, glicerina, D-pantenol, aveia coloidal, ureia, dentre outros. O uso destas substâncias normalmente é continua. 

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Mallize Gonçalves

CRMV-SP 21291 Médica-veterinária atuante em Campinas e região. Graduada pela Faculdade de Jaguariúna (2006). Pós-graduada em Dermatologia de animais domésticos pelo Instituto Qualittas São Paulo (2015). Aperfeiçoamento em Dietoterapia e Nutracêuticos pelo SPMV (2015/2019).

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